terça-feira, novembro 29, 2011

Vida, dá um tempo.



Então tá, Vida.
Se você quer me atropelar faça o serviço de uma vez. Essa história de ir fazendo aos pouquinhos não tá dando certo.
Mal eu consigo cicatrizar um pouco e daí vem você de novo com outra lambada?
Não tá dando certo isso, não.
E não me venha com essa de que é preciso ser assim, que só assim eu cresço e aprendo porque eu não caio mais nessa sua conversa mole. Tô escolada com tuas desculpas esfarrapadas e com sua estratégia furada de me destruir.
Já passei por tanta coisa, como você bem sabe, que o baque agora tem que ser bem mais intenso.

Mas mesmo assim, não tá dando não.
E vou te pedir uma coisa - Vida -  me dá uma folga pra respirar tranquila um pouco?

Serei eternamente grata enquanto eu viver.




domingo, novembro 27, 2011

Não me chame de amor


Não me chame de "amor" a menos que eu realmente seja o "seu amor".
Palavras precisam de significado. Não são somente letras organizadas, são mais do que isso.
Palavras podem salvar ou destruir. Palavras são muito importantes e devem ser tratadas com o devido respeito.
Por isso não me chame de seu amor, de seu bem, de docinho - se eu realmente não for isso tudo pra você.
Não jogue palavras ao vento.
Cuide delas e as use com parcimônia.
Não seja irresponsável com elas, muito menos comigo.
Algumas palavras podem ferir, mesmo que a intenção não seja essa.

Eu ando cansada de ouvir palavras bonitas e melosas sem sentimento.

Quero palavras reais, fortes e duradouras.
Quero palavras repletas de significado e sentimento.
Quero palavras bonitas ditas com sinceridade.
Ou palavras duras, mas verdadeiras.

Por isso não me chame de "amor" a menos que isso seja a mais pura verdade.

Essa sou eu cansada de tantas palavras sem sentido.

quinta-feira, novembro 17, 2011

Quantos somos dentro de nós?



Quantos somos dentro de nós? Quantas eu sou, quantas eu fui?
Acordei com essa pergunta na cabeça. Algumas vezes sinto como se existissem umas dez pessoas diferentes dentro de mim. Todas elas nesse momento sentem-se perdidas em dúvidas, medos, vontades. Cada uma sabe de si e tão pouco das outras.
Será que somos mesmo essa confusão de ideias e pensamentos? Será que todos os dias nos deparamos com uma pessoa nova, cheia de manias e dúvidas? Será que amanhã serei outra, pensando e dizendo frases novas, por vezes sem sentido?
E as que fui ontem? Se foram? Estão guardadas em alguma gaveta escondida e trancada dentro do meu ser? Tenho chances de libertá-las? Será que devo?
Encontro dentro de mim algumas mulheres tão distintas e, porque não dizer, distantes.
As dores e sentimentos são diversos para cada uma delas.
É assustador se ver como dez, vinte, milhares de pessoas dentro de si mesmo.
E já é tão difícil se enxergar em uma só, viver uma só vida, ser uma só.

Seria mais simples não pensar.

Essa sou eu tentando calar a mente.


segunda-feira, novembro 14, 2011

Entre as curvas da estrada

Ela tomou gosto em pegar a estrada.
Curte as curvas na descida da serra, ultrapassar outros veículos e a velocidade.
Gosta da chuva que desce fina e contínua, as paisagens exuberantes da Serra do Mar agora cobertas de neblina.
Entre curvas e retas ela sente que pode tudo. Claro que não pode, mas tem essa sensação por um instante.
Coloca uma música e dirige como se não tivesse rumo.
A cabeça não para um segundo, ela não consegue fazer a mente cessar.
Entre tantos pensamentos e indagações: tudo o que viveu e o que ainda está por vir.
As famosas perguntas sem respostas, os silêncios, os sumiços, os porquês, os senãos.
O telefonema no último dia, a lembrança. E mais uma vez silêncio e distância.
Devia ser mais simples entender o que se passa. Mas ela sabe que não é. Nem ela mesmo consegue entender.
Começa a tocar uma música e ela não se contém: chora. De soluçar, de escorrer lágrimas e desejos, sonhos, medos, vontades e sentimentos. Chora feito criança. As pessoas nos outros carros não entendem, nem poderiam. Acham estranho aquela mulher chorando à 120km/h. O que deve estar acontecendo?
Ela não sabe, só chora. A música acaba e o choro também.
Pronto. Respira e continua.

Tem coisas que não tem explicação. E não devemos tentar explicá-las.

A música era...



"Eu só aceito a condição de ter você só pra mim, eu sei não é assim mas deixa eu fingir e rir..."


sábado, novembro 05, 2011

O seu lugar é lá



Embora você não saiba onde é esse lugar.
O seu lugar é lá.

O meu lugar é lá.
Tento encontrar, caminhar, disfarçar.
Mas me perco no meio do caminho, onde tudo é estranho e confuso.

O seu lugar é aqui, dentro do meu peito. Perto do meu coração.
Onde tudo seria tão mais simples e fácil. Onde tudo seria possível.
Se assim fosse.
Se você quisesse.
Se você pudesse.
O seu lugar é aqui ou lá, dentro ou perto de mim.
Mas você ainda não sabe. Ou finge não saber.
É mais fácil fugir quando não se tem para onde ir.
Procuro me encontrar no meio desse caminho.
Escolher a estrada correta para não me perder entre os abismos.
Tudo é tão simples ou deveria ser.

Eu quero te mostrar que seu lugar é aqui.
Mas você ainda não sabe disso. 
Disfarça e foge de mim.




Related Posts with Thumbnails